domingo, 9 de março de 2008

A moralidade e a defesa pelos Direitos Humanos no Mito de Antígona

Podemos dizer que o mito de Antígona é decorrente do mito de Édipo, como se fosse uma continuação daquilo que não fora contado na narrativa anterior. A idéia inicial é a maldição de Édipo por ter desposado (sem ter consciência) Jocasta, sua mãe e ter matado seu pai Laio (rei de Tebas). Após ter descoberto toda a verdade ele acaba autopunindo-se, arrancando os próprios olhos, mas mesmo assim não consegue evitar que a maldição chegasse a seus quatro filhos: Ismena, Antígona, Etéocles e Polinice. O conflito é representado por dois lados, Antígona que representa a lei divina, e seu tio Creonte, rei de Tebas, que representa a lei dos homens. Antígona infringe o decreto de Creonte por considerar que há uma lei divina, universal, anterior ao poder de um soberano, e diz respeito a um mínimo de dignidade que merece o ser humano, independente de seus erros. Por isso, ela se porta no direito de sepultar e realizar o cerimonial de seu irmão, por mais que ele tenha lutado contra Tebas. Nesse caso, Creonte simboliza o poder estabelecido, e utilizando a interpretação que fazemos da obra de Maquiavel em O Príncipe, “os fins justificam os meios”. Creonte embora seja um déspota, impregnado de arrogância e autoritarismo, pautando sua vida pelo interesse e sendo incapaz de perceber seus próprios defeitos, sente-se no direito de punir Antígona independente das suas razões e crenças pessoais. Ao mesmo tempo em que os deuses condenam Antígona por ter assumido um ponto de vista divino, comportando-se como se fosse uma deusa, além de ter provocado duas mortes, eles também condenam Creonte pela sua falta de bom senso e prudência em tomar decisões precipitadas. Nesse sentido, podemos entender que ambos aprenderam à lição, mesmo que pelo caminho da frustração e da dor, que é preciso ser prudente e agir com temperança, procurando aquele ideal de virtude que consiste no justo meio, sem radicalismos e polaridades extremistas. Todo o contexto dessa obra retrata o início da democracia na vida cotidiana dos gregos e o fim das tiranias. O homem passa a contrapor os seus ideais aos ideais dos deuses, pensando o seu agir e as conseqüências dessa ação na sua vida prática.

Um comentário:

Bruno disse...

Nossa seu blog está MUITO BOM ... parabéns.
GOSTEI MUITO DE TEUS COMENTÁRIOS E SINOPSES... SOU BACHEREL EM FILOSOFIA TAMBÉM... DO PONTO DE VISTA FILOSÓFICO ESTÁ MUITO BOM